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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Alma dispersa

Hoje eu a vi em sua intimidade
Discutindo consigo mesma em um fragmento passado de realidade
Tentando convencer-se de que estava certa
E que todos eles erraram contigo... todos...

Seus gestos eram de quem realmente conversa
Dialoga com seus sofrimentos
Tenta afugentar os ressentimentos
E naquele momento, sua alma se dispersa num mar de lembranças

De repente, você levanta a cabeça...
E em seu olhar perdido não me percebe furtivo fitando seus lamentos
Nesse momento uma dor dilacerante me acomete
Estou te perdendo...

Nunca nos tivemos de fato
Nossa distância parecia insignificante
Porque sabia que estaria por perto
Do seu jeito... mas estaria...

Agora, não importa os afagos
As tentativas de aproximação
Em sua confusão, em seus labirintos,
Não há lugar onde eu possa me aninhar
Você se recolhe em si mesma, e eu não consigo te encontrar

Por favor não vá...

sábado, 9 de julho de 2011

OUTONO

Ao ver as folhas carregadas pelo vento
Na dança de outono.
As lembranças emergiram do passado.
Um suspiro ofegante rompeu-se,
E o olhar distante denotou sua saudade.

Enquanto fitava uma folha sendo levada pelo vento,
Sua alma se deixava nortear pela memória.

O que terá rememorado?
Que imagens do passado fizeram-na parar no tempo?
Que história terá revivido enquanto a folha caia?

Quando a folha finalmente pousou no chão
As imagens do passado se dissiparam no ruído urbano,
Ruído cotidiano que a fez voltar ao presente.

E o presente a fez ir embora,
Tão misteriosa e intrigante,
Quanto seu olhar distraído.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ecos disformes

Para ler e refletir...

Por Maria Isabel Nogueira Tuppy

Ouviram do Tietê às margens pútridas
De um povo triste o grito suplicante
E som do desalento, em dobras múltiplas,
Velou o céu da Pátria nesse instante.

Se o senhor diz: Viva a igualdade!
Estará ao seu dispor o braço forte.
Se conquistamos a liberdade,
Entregamos o destino à própria sorte.

Ó vida amada
(Ameaçada)
Salve! Salve!

Brasil, de um sonho imenso a um corpo rígido
De dor, mas de esperança alguém se veste
Pra ter no seu sorriso fugaz brilho,
Negado a cada passo enquanto cresce.

E curva-se a gigante natureza,
Clama por alívio, ávido esforço
Pro teu futuro ter qualquer grandeza,

Terra adorada?
Entre outras mil
Serás, Brasil,
Ó Pátria, amada?
Se os filhos teus ao solo tornam vil?
Pátria amada,
Brasil?

Deixado eternamente em sonho esplêndido,
Ao breu do céu e ao som do mar imundo,
Figuras, ó Brasil, quintal da América,
Agonizante em nosso "Novo Mundo"!

Em tua terra desfalecida
O antigo lindo campo não floresce,
Nossos bosques perdem vida,
Nossa vida no teu seio esmorece.

Ó vida amada
(Ameaçada)
Salve! Salve!

Brasil, de horror eterno seja símbolo
A terra que se mostra degradada,
E diga um velho louco numa fábula:
"Justeza no porvir!" Sempre adiada.

E se ganha a injustiça a vara forte,
Verás que o filho teu não está imune
E teme e se entrega a própria morte

Terra aviltada!
Entre outras mil
Serás, Brasil,
Ó Pátria, amada?
Dos filhos d' outro solo és mãe servil?
Pátria dada,
Brasil?!

Fonte: Leituras de Brasil - [realização Pró-Reitoria de Extensão Universitária - PROEX]. São Paulo: Editora UNESP, 2001

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE

Mãe...
Meu choro
É teu pranto
Minha vida
Tua causa
Minhas preocupações
Teus sofrimentos
Minha alegria
Tua felicidade
Minha calma
Tua paz.

Mãe...
Tua força
É minha esperança
Tua voz
Meu conforto
Teus ideais
Minhas realizações
Tua juventude
Meu crescer
Tua luta
Minha vitória
Teu amor
Minha existência
Teus valores
Meus princípios

Mãe...
Sou parte de ti
Que a ti quer voltar
Que por ti quer se humanizar
Devolvendo-te com amor
Todo amor que a mim

Tu dedicaste.

Prof. Gilberto

sexta-feira, 22 de abril de 2011

VAPOR DA MORTE


Temeroso está o garoto
Invade território inimigo
Por entre as valas do inferno
Grita por socorro

Sorve o vapor da morte
E o torpor explode
Nas entranhas do inconsciente

A alienação constrange o medo
O delírio o torna poderoso
E o poder o torna furioso
Sua fúria fere e mata
Enquanto o demônio esta em seu corpo

Mas o que resta após o ato intempestuoso
É um mal-estar latente
Que sangra gradativamente
Desta mente que da vida
Já perdeu o gozo

domingo, 27 de março de 2011

Adolescente

A vida é tão bela que chega a dar medo.

Não o medo que paralisa e gela,

estátua súbita,

mas

              esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz

                 o jovem felino seguir para a frente farejando o vento

ao sair, pela primeira vez, da gruta,

                                     Medo que ofusca: luz!

                                            cumplicemente,

as folhas contam-te um segredo

velho como o mundo:

Adolescente, olha! A vida é nova!

A vida é nova e anda nua

vestida apenas com teu desejo!


Mario Quintana

terça-feira, 15 de março de 2011

CRESCER

O sorriso do palhaço
No palco da infância

Faz lembrar da inocência

A alegria da criança

O brado de rebeldia
Impregnado de influência
Revela os traços comuns
Da estação adolescência

O olhar de seriedade
Mostra o peso da idade
Que a jornada adulta
Ao homem estipulou

Na voz da experiência
Reside a sabedoria acumulada
De uma velhice iluminada
Que a ciência da vida lhe outorgou.


Prof. Gilberto